Para a equipa de enfermagem oncológica, o conhecimento sobre o mecanismo de ação, protocolo de administração, efeitos adversos, gestão de toxicidades e necessidades específicas de monitorização do enfortumab vedotina (EV) é fundamental. A gestão segura e humanizada dessa terapêutica inovadora exige formação técnica, bem como e sensibilidade clínica, especialmente face aos desafios que envolvem toxicidades como neuropatia periférica, hiperglicemia e reações cutâneas.
Na Conferência Astellas, André Ferreira, médico oncologista da ULS Região de Leiria, apresentou um panorama geral atualizado sobre o papel do EV no tratamento do cancro urotelial, explicando que o EV é composto por um anticorpo IgG1 Kappa totalmente humano, conjugado com o agente disruptor dos microtúbulos monometil auristatina E (MMAE) através de um ligando maleimidocaproil valina-citrulina clivável por protéase.
Joana Silva, enfermeira ULS Gaia e Espinho, destacou as implicações práticas do uso deste fármaco para a assistência em enfermagem oncológica, com foco na promoção da segurança, adesão à terapêutica e qualidade de vida dos pacientes em tratamento e apresentou o protocolo de administração de EV em vigor na sua unidade. Na consulta de enfermagem, cabe ao enfermeiro fazer a educação do doente e aconselhamento no caso de reações adversas que afetam negativamente a qualidade de vida do doente e que podem contribuir para uma baixa adesão ou abandono da terapêutica. Relativamente às reações cutâneas, importa fazer uma monitorização ativa, sendo que as reações cutâneas graves surgem no primeiro ciclo de tratamento e podem variar em localização e apresentação. Importa ainda considerar referenciação a dermatologia. Evitar exposição solar desprotegida, usar skincare hipoalergénico, hidratar pele profilaticamente, evitar banhos quentes e utilizar corretamente a medicação tópica quando indicada são outras das recomendações incontornáveis neste contexto.
A monitorização ativa de sintomas e dos valores glicémicos a partir de ciclo 1 é outro dos aspetos que o enfermeiro tem que acautelar, com o aconselhamento de medidas nutricionais e de exercício físico adequadas. Também a monitorização de neuropatia sensorial e motora ativa não pode ficar esquecida, com a inspeção regular da pele das extremidades e a prevenção de lesões, a recomendação do uso de calçado, ingestão hídrica e exercício físico adequados.