Investigação e inovação em Oncologia desenvolvida por e para enfermeiros

Constante e voraz. Assim é a inovação em Oncologia, que acontece todos os dias nas práticas, nos protocolos, nas terapêuticas e na entrega dos profissionais de saúde no cuidado aos seus pacientes. A sessão plenária “Inovação e desenvolvimento em oncologia” – moderada por Ana Almeida (ESS Santa Maria) e Susana Silva (IPO Porto) – deu palco a estudos de investigação, projetos e ferramentas desenvolvidos por e para enfermeiros e que fazem a diferença na vida de quem cuida e de quem está em tratamento.

Helga Martins, da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, apresentou os resultados de um projeto de implementação de boas práticas no contexto da monitorização e avaliação da dor no hospital de dia de oncologia. Partindo da evidência de que o subtratamento da dor em contexto oncológico é comum, com aproximadamente um terço das pessoas a não receberem tratamento adequado, este estudo teve por objetivo “avaliar a compliance da prática baseada em evidência na monitorização e avaliação da dor em pessoas com doença oncológica (n=1301) submetidas a quimioterapia no hospital de dia (do Hospital de Faro)”.

De acordo com a palestrante, “este projeto permitiu identificar as barreiras e os facilitadores para atingir a compliance segundo nos critérios baseados nas evidências sobre a monitorização e avaliação da dor”. Em suma, “este estudo possibilitou uma melhoria dos cuidados na instituição de saúde, e acima de tudo, permitiu ganhos em saúde por parte das pessoas com doença oncológica”, concluiu.

Um Guia de Sobrevivência e um Documento de Consenso

Capacitar os enfermeiros para a prestação de cuidados de excelência a doentes, com drenagens minimamente invasivas foi o objetivo do Projeto DRAIN 101, apresentado em Peniche por Márcia Santos, do IPO Porto. A preletora elencou alguns pontos incontornáveis no desenvolvimento de um guia desta natureza. A saber: ter em conta a realidade local (adaptar ao contexto e prática e doente); ler o documento com precaução (guia de orientação); ter espírito crítico e partir para a construção de evidência científica; ter em linha de conta que nem todas as intervenções são consensuais (expertise permite considerá-las seguras).

Por sua vez, Raquel Chamela, do IPO Lisboa, partilhou com os colegas um Documento de Consenso sobre drenagens torácicas, cujos principais objetivos consistiram em estabelecer linhas orientadoras relativas à drenagem torácica (desde a colocação à remoção), uniformizar procedimentos que garantam uma boa prática clinica e orientar a execução de procedimentos e técnicas tendo por base princípios científicos. 

Entre as principais conclusões do documento – dividido em seis áreas (Procedimento; Indicações e Contraindicações; Intervenções de Enfermagem; Prevenção de Complicações; Potenciais Complicações; Considerações Finais) – destaca-se que “a drenagem torácica é um procedimento simples, no entanto um grande número de doentes submetidos a este procedimento apresenta complicações”. Salienta-se, igualmente, que “a existência de um sistema de drenagem torácica implica para além da vigilância da drenagem e respetivas conexões, uma observação de sinais de dificuldade respiratória, bem como do local de inserção do dreno torácico”. A reter, ainda, que “o doente deve ser reeducado em relação aos esforços, e cuidados, deve ser feita gradualmente para melhorar a resistência cardiopulmonar diminuindo a dispneia e fadiga associados”.