A otimização do Hospital de Dia através de terapêuticas subcutâneas (SC) foi o tema central do Simpósio da Roche, que contou com a moderação da enfermeira Nazaré Rosado, do Hospital da Luz Lisboa.
Neste âmbito, a enfermeira Clara Gaspar partilhou a experiência na sua unidade (ULS Arrábida), salientando que a administração de terapêuticas SC em Hospital de Dia é um caso de sucesso para a enfermagem, com vantagens para profissionais e para doentes. No caso dos primeiros, destaque para a redução da carga de trabalho da equipa de enfermagem, maior rapidez do tempo de administração, menos preparação, otimização do espaço clínico, menos tempo de ocupação da cadeira de tratamento, maior flexibilidade de agendamento e menor dependência da farmácia. Por sua vez, para os doentes, este tipo de administração terapêutica aumenta o conforto e a conveniência, reduz o risco de complicações, diminui o tempo de permanência no hospital, potencia a flexibilidade, a melhoria da qualidade de vida e traduz-se numa experiência de tratamento mais positiva.
É convicção da enfermeira Clara Gaspar que as terapêuticas SC estão a transformar o tratamento oncológico e que este é um caminho a percorrer.
Perspetiva do farmacêutico
Raquel Murteira, da ULS Arrábida, esteve em Peniche a falar sobre o impacto das terapêuticas SC na perspetiva do farmacêutico, com destaque para a questão da melhoria da eficiência e boas práticas na farmácia.
Colocando a tónica do sucesso no trabalho em equipa multidisciplinar e utilizando como exemplo a unidade onde trabalha, a farmacêutica explicou como é constituída e como funciona a Unidade de Preparação de Estéreis e detalhou o circuito do medicamento, que vai desde a prescrição (eletrónica) do protocolo terapêutico na consulta médica – passando pela comunicação com a farmácia para preparação do protocolo terapêutico prescrito na consulta de enfermagem – até à “entrada em jogo” dos serviços farmacêuticos, com a validação da prescrição médica, impressão de mapas de produção e rótulos para cada fármaco; colocação, na câmara de fluxo laminar vertical (CFLV), do material clínico, fármaco, soluções de reconstituição e diluição necessários à preparação de cada fármaco; preparação em CFLV de cada fármaco do protocolo, validação da preparação final com respetiva libertação de lote. Quanto às vantagens da administração SC, Raquel Murteira salientou o facto de o tempo de preparação e de administração das formulações SC ser “significativamente mais baixo” e o facto de estas formulações permitirem poupanças, quer em termos de custo, quer em termos de tempo”.
A breve trecho, a farmacêutica identifica como desafios e oportunidades a aquisição de uma segunda CFLV (destinada à preparação de anticorpos e de citotóxicos), bem como a preparação centralizada nos serviços farmacêuticos e a otimização dos recursos disponíveis, tendo como principal objetivo a qualidade do serviço prestado ao doente.