Mieloma múltiplo: Experiência de vida real com teclistamab

O anticorpo biespecífico teclistamab representa uma inovação significativa no tratamento do mieloma múltiplo recidivante ou refratário (MMRR), especialmente em doentes previamente submetidos a múltiplas linhas de tratamento.

No simpósio da Johnson&Johnson, Paulo Bernardo, médico hematologista do IPO Lisboa, e Andreia Ortiz, enfermeira do IPO Lisboa, refletiram sobre os avanços terapêuticos no mieloma múltiplo e sobre a realidade desta doença hemato- oncológica antes do advento dos biespecíficos. Foram ainda apresentados dados de vida real com o teclistamab e abordadas as principais estratégias de gestão das toxicidades associadas a esta terapêutica, nomeadamente a síndrome de libertação de citocinas (SLC) e a síndrome de neurotoxicidade associada às células imunes efetoras (ICANS). A este respeito, os preletores partilharam um modelo de Protocolo de Prevenção de SLC e ICANS em Ambulatório.

Com um mecanismo de ação inovador, o mecanismo de ação do teclistamab consiste na ligação de duas células diferentes: a CD3 (presente nos linfócitos T) e a BCMA (antígeno de maturação de células B, expresso nas células de mieloma). Esta ligação permite que os linfócitos T sejam “recrutados” diretamente para as células do mieloma, promovendo a sua destruição direcionada, de maneira semelhante às terapias CAR-T, mas sem necessidade de modificação genética das células do paciente. Em ensaios clínicos, o teclistamab demonstrou uma taxa de resposta global de cerca de 63%, respostas duradouras em muitos doentes e eficácia mesmo em pacientes triplo-refratários.

Em jeito de conclusão, Paulo Bernardo e Andreia Ortiz afirmaram que o teclistamab representa um marco importante no tratamento do mieloma múltiplo avançado, oferecendo uma nova abordagem imunológica eficaz. Este anticorpo biespecífico vem preencher uma lacuna para os pacientes que não respondem às terapêuticas-padrão de primeira linha e tem-se vindo a consolidar como uma das opções mais promissoras no arsenal terapêutico atual contra o mieloma.