De que forma está a inteligência artificial (IA) a revolucionar o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento dos doentes oncológicos?
A questão deu o mote para a Sessão Plenária I, moderada pelos enfermeiros Bruno Magalhães, da UTAD, e Fernanda Conceição, da Fundação Champalimaud, em que a evolução e a implementação da IA em saúde foi a temática desenvolvida por Miguel Barradas, da Microsoft.
O especialista em tecnologia apresentou uma ferramenta que promete transformar a forma de trabalhar de médicos e enfermeiros – a Microsoft Dragon Copilot – através da documentação e arquivo, padronização dos registos, otimização do workflow, automatização de tarefas burocráticas/administrativas, investigação e análise de dados.
Por sua vez, a intervenção de João Gabriel, da Universidade Coimbra, consistiu numa reflexão em torno de quatro questões:
- A IA vai ter impacto na saúde?
- A IA vai ter impacto nas profissões da saúde?
- A IA vai substituir completamente os humanos?
- A IA na saúde tem aspetos negativos?
Sem respostas categóricas de “sim” ou “não”, o professor descartou grande parte da desconfiança que ainda prevalece em torno da aplicação da IA à saúde, sobretudo alicerçada no medo da substituição do humano pela máquina. Porém, não escamoteou alguns aspetos menos positivos que decorrem do impacto que a IA já está a ter nos profissionais e no setor da saúde.
Para Bruno Magalhães, estamos a entrar na era da “Medicina 5.0”, em que a tónica já não está em questionar a relação entre máquina e humano, mas sim “em melhorar a máquina na relação”. Também Cátia Correia, da Fundação Champalimaud, acredita nas vantagens da IA aplicada à Saúde e defendeu que a “a simbiose entre máquina e humano é sempre melhor do que o efeito de cada um individualmente”. A enfermeira trouxe a Peniche um exemplo de como “o futuro é já hoje e está a ser alterado agora”. Pelo menos no plano do diagnóstico do cancro da pele, em que a dermatoscopia digital – com base em algoritmos de IA – se apresenta já atualmente como uma ferramenta que aumenta a precisão do rastreio (deteta alterações precisas de lesões pré- existentes) e permite um diagnóstico mais precoce.