No Simpósio promovido pela Lilly, cuja moderação esteve a cargo de Paula Amorim, da ULS Alto Minho, o papel do abemaciclib no tratamento do cancro da mama luminal HER2- esteve em destaque na intervenção de Renato Cunha, médico oncologista da ULS Trás-os-Montes e Alto Douro.
O abemaciclib é um inibidor seletivo das cinases dependentes da ciclina 4 e 6 (CDK4/6), aprovado para o tratamento do cancro da mama avançado ou metastático com recetores hormonais positivos (HR+) e recetor do fator de crescimento epidérmico humano 2 negativo (HER2-). Atua impedindo a progressão do ciclo celular na fase G1, ao promover a senescência e apoptose das células tumorais. Trata-se do único inibidor CDK4/6 aprovado com regime de toma contínua.
A evidência que suporta a eficácia e segurança do abemaciclib decorre dos ensaios clínicos MONARCH 1, 2, 3 e monarchE (adjuvante). O efeito adverso mais frequente (até 80% dos casos) é a diarreia (leve e reversível), ocorrendo geralmente nas primeiras semanas de tratamento e sendo controlável com loperamida.
Na segunda parte da sessão, Leonor Bastos, enfermeira da Fundação Champalimaud, falou sobre o papel da enfermagem na jornada do doente com cancro da mama luminal HER2-, salientando que a gestão dos sintomas, efeitos secundários e toxicidades é uma das áreas em que o enfermeiro pode fazer a diferença, através dos ensinos educacionais (presenciais, acompanhamento, documentação) e de procedimentos preventivos assentes no empoderamento, na antecipação e na confiança.
“A educação precoce empodera os doentes, aumenta a adesão e contribui para o sucesso da terapêutica”, concluiu a preletora.