A sessão “Conversas com Sentido: A Pele e a Radioterapia“ foi um espaço dedicado à partilha de conhecimentos sobre o impacto da radioterapia na pele e às melhores estratégias para o seu cuidado.
Com moderação de Elda Freitas, enfermeira da Fundação Champalimaud, a Mesa 2 do V Simpósio Ibérico de Radioncologia, que contou com o apoio da Uriage, constituiu uma oportunidade única para partilhar conhecimento com especialistas na área, proporcionando uma visão abrangente sobre um tema de grande importância em termos de qualidade de vida dos doentes.
“Desde que trabalho em Radioterapia que tenho assistido a uma enorme evolução e, no que respeita à pele, já não estamos tão focados no problema (radiodermite), mas antes na pele com a tónica na prevenção, cuidado e reabilitação”, começou por salientar a moderadora. Uma visão partilhada por Elisabete Soares, enfermeira do IPO Porto, para quem a reabilitação cutânea não é uma questão meramente estética, mas sim funcional.
Através do exemplo de Ana Martins (ver caixa), uma médica dentista que aos 30 anos foi confrontada com um diagnóstico de cancro da cavidade oral, após surgimento de uma lesão desvalorizada – algo irónico, se considerarmos a profissão da doente – Elisabete Soares frisou que “a pele não é só cicatrização”, na medida em que a reabilitação cutânea pode comprometer fala, imagem, e muitas outras dimensões biopsicossociais da doente. Posto isto, exige obrigatoriamente uma avaliação e uma abordagem personalizadas.
Entender a pele que fala
Joana Preto, enfermeira e fundadora de “A Pele Comunica” – uma plataforma de comunicação em saúde focada nos cuidados com aquele que é o nosso maior órgão – partilhou a visão e o papel da dermocosmética em termos de prevenção e tratamento cutâneos em Radioncologia.
Refutando preconceitos como o da “futilidade” associada à utilização de dermocosmética na reabilitação oncológica e desmistificando ideias como a de que “o que é natural é que é bom”, a preletora desta sessão assegurou que os produtos dermocosméticos não só previnem problemas de pele, como melhoram a qualidade da mesma, sendo um aliado incontestável na abordagem dos doentes submetidos a radioterapia. Neste sentido, convidou os colegas a procurarem familiarizar-se com os diversos produtos que existem no mercado, de forma a poderem aconselhar e orientar os seus doentes.
A ideia de que o IVA destes produtos deveria ser reduzido e a sua comparticipação uma realidade a nível nacional foi consensual entre as intervenientes da sessão.
Na primeira pessoa
Ana Martins, doente com cancro da cavidade oral, partilhou com os presentes em Peniche aquilo que sentiu aquando do diagnóstico. “Fiquei sem chão”, disse.
Após cirurgia (com remoção de dois terços da língua), tratamentos de quimioterapia e de radioterapia, “a cura não era a minha prioridade, nem a minha única preocupação, porque estava muito limitada”, recorda Ana. Foi na Radioterapia que teve conhecimento da importância de cuidar da pele, por forma a evitar retrocessos na cicatrização e garantir uma reabilitação mais bem-sucedida, sendo que até então sentia que esse tema era “uma futilidade” face aos seus outros problemas.
A paciente aproveitou a ocasião para agradecer às suas “enfermeiras do coração”, por todo o “carinho, motivação e força” ao longo de todo o processo de tratamento. E lançou-lhes um repto: “Sejam sempre muito humanos e pacientes. Tratarem não só do corpo, mas também da alma”.